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Candidatas disseram que para conseguir aprovação teriam que pagar |
A prefeitura de Planalto, no Norte do Rio Grande do Sul, vai suspender a nomeação dos candidatos aprovados no concurso realizado em 20 de maio. O Ministério Público investiga denúncias de fraude. Candidatas, que pediram para não serem identificadas, não passaram no concurso e disseram que, para conseguir a aprovação, tinham que pagar pelo gabarito.
"Até R$ 5 mil. Descontado em contra-cheque", disse uma delas. A oferta teria sido feita por funcionários da prefeitura de Planalto. "Eles falavam: vai e faz a prova tranquila, fala depois que você não pegou o gabarito, que você foi super bem, que a prova estava fácil e vai estar tudo certo. Depois, eles trocavam o gabarito e eu iria passar e pronto", completou outra candidata.
Em uma gravação, Luiz Pasinato, representante da empresa Precisão, se mostra surpreso com a quantidade de candidatos que teria que aprovar de forma fraudulenta a pedido do prefeito de Planalto, Antônio Scaravonatto.
"O prefeito veio com uma lista que, pelo amor de Deus. Eu não posso fazer isso. O prefeito tinha me falado duas ou três vagas. E o prefeito disse que ele pagou por fora pra aprovar a quantidade que ele quisesse", disse o representante.
Os partidos de oposição entregaram uma lista na Promotoria Pública com os nomes dos candidatos que seriam aprovados no concurso, antes mesmo da aplicação das provas. Todos tinham uma ligação com o prefeito ou com a prefeitura de Planalto. O Ministério Público investiga o caso. No entanto, dos 33 nomes da lista, apenas sete foram aprovados.
A prefeitura de Planalto nega a existência de uma fraude. "Eu acredito que foi pela questão política que houve essas denúncias. A nossa visão é aguardar a posição do Ministério Público e a posição do Tribunal de Contas para então sim nomear esse pessoal que foi aprovado no concurso. Ou, se for o caso, anular se essa for a decisão do Tribunal de Contas", disse Fabiana Maria Faccin, assessora jurídica da prefeitura de Planalto.
Dois concursos realizados em administrações anteriores em Planalto foram anulados por suspeita de fraude.